Orcinus orca

Em janeiro de 2024, foram observadas duas orcas, frente a frente, a trocar mordidelas suaves na língua. Um beijo. Ou pelo menos o equivalente aquático de um.

O que ficou gravado

Foi no norte da Noruega que dois snorkelers, numa expedição de observação de vida selvagem, filmaram uma interação que não esperavam ver.

A interação durou quase dois minutos e em câmara lenta, é possível ver as duas orcas frente a frente, de mandíbulas ligeiramente abertas, a trocar mordidelas suaves na língua uma da outra. Mantendo as caudas niveladas e as barbatanas imóveis, e sem movimentos bruscos. No final, separaram-se e retomaram o seu caminho.

Porque é que isto importa

Até agora, este comportamento, que a ciência designa por tongue-nibbling, só tinha sido registado em animais em cativeiro. E mesmo assim, em raríssimas ocasiões.

Por ser tão raro, havia uma questão que ficava sem resposta: seria este um comportamento natural da espécie?

Esta gravação de 2024 respondeu a essa pergunta. O comportamento existe na natureza.

O que pode significar?

A ciência ainda não sabe ao certo… A explicação mais aceite é que poderá servir para fortalecer os laços sociais. O equivalente ao que os primatas fazem no grooming, quando se limpam uns aos outros.

Outra hipótese é a de transmissão cultural, um comportamento aprendido que circula dentro de um grupo como uma tradição. Comportamentos que não têm uma função óbvia de sobrevivência, mas que persistem porque são aprendidos, partilhados, repetidos.

O que fica por descobrir

As perguntas que ficam em aberto são muitas. Quem eram estas duas orcas? Que relação tinham entre si? Era a primeira vez ou apenas uma de muitas?

Esta descoberta dependeu inteiramente de uma câmara a gravar no lugar certo, na hora certa. Por isso, quantas interações como esta acontecem todos os dias, no oceano, sem que ninguém esteja lá para as testemunhar? E... Será este comportamento apenas um vislumbre de uma realidade muito maior?